10 de agosto de 2016 20:20

Estudo avaliará o uso de células-tronco para tratar de crianças

Estudo inédito no Brasil visa tratar crianças com hipóxia neonatal

Por Redação

Uma parceria científica entre o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e a Cryopraxis possibilitará o estudo da infusão de células-tronco do sangue de cordão umbilical em crianças com hipóxia neonatal, caracterizada pela falta de oxigênio no cérebro do feto.

O estudo, inédito no Brasil, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) e pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), será desenvolvido pela equipe do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-USP). O pesquisador principal será o Prof. Dr. Marcelo Zugaib, assistido pela Dra. Rossana Pulcineli Vieira Francisco e sua equipe, ambos do Departamento de obstetrícia do HC-USP. Esse estudo contará ainda com a colaboração do Dr. Werther Brunow de Carvalho, assistido pela Dra. Vera Lúcia Jornada Krebs e sua equipe, neonatologistas do HC-USP. A Cryopraxis será responsável pelo processamento das células-tronco do sangue de cordão umbilical que serão infundidas nos pacientes pela equipe do hospital.

“A hipóxia, ou asfixia neonatal, é decorrente de complicações no parto que levam à falta de oxigênio no cérebro do bebê, podendo trazer sequelas neurológicas. Hoje, o tratamento é feito com hipotermia terapêutica. O bebê é mantido a uma temperatura entre 33°C e 34°C por 72 horas e isso melhora o desenvolvimento neurológico desses pacientes, mas só aumenta em 61% as chances de a criança não ficar com paralisia cerebral. Precisamos de outros tratamentos que se associem a esse para tentar melhorar o desenvolvimento neurológico nesses recém-nascidos”, destaca Renata de Araújo Monteiro Yoshida, neonatalogista do Centro de Terapia Intensiva Neonatal do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da USP, integrante do grupo de pesquisadores.

Segundo a médica, em casos constatados ou suspeitos de hipóxia observados no Hospital das Clínicas da USP, serão coletadas e processadas células-tronco do sangue do cordão umbilical do bebê, para que seja feita a infusão no próprio paciente – o que é classificado como uso autólogo. “Nesta primeira fase do estudo, estamos verificando a segurança do procedimento. É a primeira vez que esse tipo de pesquisa é feita no Brasil, mas trabalhos semelhantes foram feitos em outras universidades do mundo”, explica Renata.

Estudos no mundo

Diversos estudos clínicos com a administração de células-tronco do sangue de cordão umbilical (SCU) do próprio indivíduo (uso autólogo) estão em andamento pelo mundo e já obtiveram resultados preliminares que indicam melhora do quadro clínico geral do paciente.

Nos Estados Unidos, mais de 300 pacientes já foram incluídos na pesquisa  liderada pela médica Joanne Kurtzberg, do setor de neuropediatria da Universidade de Duke, pioneira naquele país no desenvolvimento de um estudo clínico piloto para casos de anóxia perinatal. Resultados preliminares mostraram a segurança do procedimento e há previsão de encerramento do estudo em breve, quando serão analisados dados de eficácia do tratamento.

O estudo da USP/ Cryopraxis seguirá um modelo semelhante ao da Drª Joanne Kurtzberg, onde são feitas infusões intravenosas de células-tronco do sangue de cordão umbilical do próprio paciente, na tentativa de melhorar o quadro clínico geral do paciente.

Ascom

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